[an error occurred while processing this directive]
Como a maioria das baleias, as jubartes não vivem em apenas um ponto do planeta. No Atlântico Sul seu ciclo de vida faz com que tenham hábitos migratórios. Entre janeiro e julho habitam as águas frias da região antártica, onde estocam energia se empanturrando de krill, um tipo de camarão. Para estudar melhor a espécie, a Comissão Internacional da Baleia (CIB) dividiu as jubartes do sul em sete grupos populacionais (mapa). Essas populações migram para regiões tropicais com três fins: acasalar, parir e amamentar os filhotes. Em geral, procuram águas rasas, de 20 a 30 metros de profundidade, ao redor de recifes de coral, onde se sentem mais protegidas.
O arquipélago de Abrolhos, na Bahia (foto acima), é um de seus pontos preferidos. Para chegar ali as jubarte nadam cerca de 4 mil quilômetros e são freqüentes entre junho e dezembro, com picos em agosto e setembro. Desde 2001, o Instituto Aqualie realiza um trabalho em mapear suas rotas migratórias, o destino das jubartes em seu retorno à região antártica. O projeto caracteriza-se pela colocação de um pequeno transmissor eletrônico no dorso dos animais. Sinais são enviados a um satélite e, durante o tempo em que duram as baterias dos transmissores, os pesquisadores podem rastrear a rota das baleias, e descobrir quais são os problemas potenciais que elas encontram no retorno às áreas de alimentação.
Se as jubartes migram por áreas costeiras, por exemplo, estão mais expostas ao tráfego marítimo - colisões com embarcações representam uma das principais causas de morte de baleias no mundo. Atividades pesqueiras também ameaçam, já que muitas delas ficam presas em redes e morrem. O estudo por telemetria também foi responsável pelo descobrimento de uma das áreas de alimentação das jubartes que se reproduzem no Brasil. "Desde 1904, quando se deu o início da exploração da espécie na região das ilhas Geórgia do Sul, na Antártica, se queria saber para onde elas migravam", esclarece Alexandre Zerbini.
Outro estudo é realizado na região conhecida como banco de Abrolhos, uma vasta extensão oceânica que se espalha desde a cidade de Prado até a foz do rio Doce, no norte do estado do Espírito Santo. Nessa área concentram-se 80% das jubartes que chegam ao nosso litoral, embora elas também possam ser vistas desde o Rio de Janeiro até o Ceará. "Monitoramos a evolução da população da espécie. Um modo de fazer isso é verificar a quantidade de filhotes que acompanham os grupos de adultos", revela o veterinário Milton Marcondes. Os pesquisadores também fazem identificação fotográfica da cauda das baleias e coletam amostras de DNA. "As fotos revelam quais já estiveram por aqui anteriormente. Uma delas, por exemplo, reapareceu por sete temporadas. E, ao analisar seu material genético, podemos compará-lo com o coletado por outros pesquisadores nas regiões antárticas e saber onde elas se alimentam no verão", conclui Marcondes.
Essas e outras pesquisas têm ajudado a população de jubartes a recuperar-se. E hoje seus filhotes podem nascer sem o risco de caça, que quase dizimou a espécie no Atlântico Sul. No Brasil, elas foram capturadas desde o século 17. No fim do século 19, com o advento do arpão-canhão e dos barcos a vapor, a atividade sofisticou-se. Segundo dados da CIB, entre 1904 e 1972 cerca de 31 mil baleias do grupo brasileiro foram mortas - a caça foi oficialmente proibida no país em 1963. Agora, aos poucos, a espécie vem repovoando o Atlântico. "A população, que chegou a ter menos de 500 indivíduos, está crescendo. Os esforços de conservação devem continuar a todo vapor", conclui Alexandre Zerbini.