
Um sinal de perigo escancarado se abre perto do autor Tim Appenzeller na folha de gelo da Groenlândia. Chamado de moulin, este tipo de abertura se forma quando “água derretida da superfície mergulha no gelo e, supostamente, vai até o fundo, a centenas e centenas de metros, onde o gelo se encontra com o leito rochoso”, explica Appenzeller. Cientista acreditam que esses fluxos possam ser uma das razões por que o gelo da Groenlândia está indo para o mar com rapidez. “A água se acumula no fundo da folha de gelo e a lubrifica”, ele diz, “permitindo assim que escorregue com mais facilidade.”
O MELHOR
Em La Paz, na Bolívia, encontrei-me com um grupo de pesquisadores que prometeram me mostrar como as geleiras dos Andes estão se retraindo. No segundo dia da minha visita, eles me levaram a Zongo, uma das geleiras que estudam. Trata-se de uma manta de gelo de três quilômetros de extensão na lateral de um pico escarpado de 6 mil metros chamado Huayna Potosí. Ao ver aquilo, percebi que esses pesquisadores estudam geleiras não apenas por curiosidade científica, mas também por amor. Eles estavam visivelmente animados enquanto subíamos os Andes de carro e depois fazíamos uma caminhada de uma hora até a beirada da geleira, a cerca de 5,2 mil metros de altitude. Brilhando com o sol andino, o gelo agarrava-se à montanha e subia a alturas impossíveis. Era uma visão fantástica. Quando o líder do grupo, um francês animadíssimo chamado Bernard Francou, fez um gesto grandioso e perguntou: “E aí, gostou do meu escritório?”. Tive que admitir que era esplêndido.
O PIOR
A capital da Bolívia, La Paz, fica nos Andes, a 3,6 mil metros de altura, e a maior parte dos visitantes não têm oportunidade de se acostumar com a altitude. Chegam vindos do nível do mar, como aconteceu comigo. Quando a gente sai do avião, fica meio sem fôlego e tonto. E, na manhã seguinte, é bem provável que você esteja se sentindo péssimo – parece que tem uma faixa amarrada em volta da sua cabeça bem apertado, o que a faz latejar como se você estivesse com enxaqueca ou de ressaca.
Eu tinha planejado de reservar um dia para me aclimatar antes de dar início às entrevistas, mas atrasos de aviões acabaram com a minha folga. Então, eu estava em péssima forma no meu primeiro dia lá, enquanto tentava absorver conceitos inteiramente novos a respeito de geleiras e clima tropical, com freqüência com o meu espanhol enferrujado. Meu inglês não estava muito melhor do que o meu espanhol naquela manhã. Mas, depois de um dia eu já estava me sentindo melhor, pronto para ir a altitudes ainda mais elevadas para ver as geleiras de perto.
O MAIS BIZARRO
A Bolívia é um país que foi desmembrado por uma série de guerras com seus vizinhos, sendo que cada uma delas levou uma fatia do antigo território original boliviano. Uma das piores perdas foi para o Chile, em 1884, quando a Bolívia perdeu sua única saída para o mar. Agora, a fronteira com o Chile fica no alto dos Andes, Fui lembrado desta ferida aberta nacional certa noite, em um jantar com dois pesquisadores bolivianos. Eu disse a eles que, para o meu artigo, eu também pesquisaria sobre a folha de gelo da Groenlândia, que poderia fazer o nível do mar subir seis metros se derreter completamente. Os bolivianos fizeram piada, dizendo que o derretimento seria bem-vindo na Bolívia, e seria ótimo se ainda mais gelo derretesse, elevando o mar ainda mais. “Assim, poderemos ter de volta o nosso litoral!”
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