Destinos

Sonhos verdes

Anotações de campo do fotógrafo Robert Clark

Para a reportagem sobre biocombustíveis da edição de outubro de 2007 da National Geographic, o fotógrafo Rob Clark passou sete semanas em campo, fotografando no Brasil, no México e por todos os Estados Unidos. Clark retratou paisagens industriais e trabalhadores rurais entre as plantas que colhem, que então são transformadas em combustíveis alternativos.


Você fotografou milho e cana-de-açúcar - que nem sempre rendem imagens das mais animadoras. Como foi?

Usar iluminação específica para o que é retratado, criar textura, é fundamental. Para mim, apesar de serem simples, todos os materiais orgânicos que retratei para esta reportagem são belos. Simplesmente tentei destacar a textura, o detalhe e a cor específica do milho. E acho que nem todo mundo sabe como é cana-de-açúcar. Tem muitos tons de rosa e verde sutis. Geralmente, tento não me intrometer na beleza natural do que fotografo. (Visite a Galeria de Fotos)


Em uma de suas imagens, foi colocada uma tábua atrás da soja e da cana. Por quê?

Eu queria fotografar a soja e a cana como se fossem espécimes, mas também em seu ambiente natural. Como fotógrafo, sempre achei que o meu trabalho é diferente do jornalista, porque quem escreve quer que a pessoa vire a página. Eu quero que as pessoas parem e olhem para cada detalhe das fotografias. Eu queria que a brancura da tábua ressaltasse todos os detalhes das plantas.


Qual você acha que é a melhor imagem desta pauta?

Gosto da imagem do homem que trabalha na plantação de cana saindo do campo no fim do dia. Eu não fazia idéia de que a cana-de-açúcar chegava a quase cinco metros de altura. As pessoas parecem minúsculas ao lado da planta.


Como é um dia comum para as pessoas que trabalham com cana-de-açúcar?

É coisa para jovem, mas vimos pessoas na casa dos 50 e dos 60 fazendo aquilo. Parecem atletas de 28 anos. O trabalho é duro e eles não consomem muitas calorias vazias. Esses caras trabalham dez horas por dia. Estão no campo quando o sol nasce. É trabalho duro de matar. Queimam a plantação, e faz calor e os olhos ardem.


Por que queimar a plantação?

Isso faz reduzir a biomassa ao redor da cana, limpa o terreno das cobras e há um mito de que, assim, a cana fica mais doce.


Quando você estava em uma plantação em chamas, alguma vez pensou que preferia estar fotografando uma expedição na montanha?

Não, esta pauta foi fantástica. Foi um prazer ir ao Brasil. U nunca tinha visitado um país onde se fala português. E acho que não encontrei nenhuma pessoa que não quisesse sair na foto.

 
 


Por: Joel K. Bourne, Jr. | Fotos: Robert Clark
Matéria publicada na revista National Geographic Ed. 91 - 01/10/2007


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