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Porém, foram necessários apenas 15 anos para que aquele período promissor chegasse ao fim, com a última missão Apollo à Lua, em dezembro de 1972. O ônibus espacial, uma proeza tecnológica em seus primórdios, no início dos anos 1980, mostrou-se frágil, caro e perigoso. E, uma vez que não pode ir além da órbita terrestre, transformou os vôos espaciais em cruzeiros high-tech rumo a lugar nenhum. Em 2003, quando o Columbia se desintegrou sobre o Texas ao reentrar na atmosfera, matando seus sete astronautas, os pesquisadores espernearam contra o despropósito de um programa espacial envolvendo pessoas.
Em resposta, o presidente George W. Bush anunciou o novo objetivo espacial dos Estados Unidos: o retorno dos astronautas à Lua, em 2020, e, em seguida, a ida a Marte. Os americanos estão encomendando foguetes, construindo outra nave espacial, fazendo planos para uma base no satélite terrestre e, na contramão das opiniões correntes, tentando resgatar o senso de urgência e aventura que impulsionou a primeira investida rumo ao espaço.
O foguete R-7, que conduziu o Sputnik, foi um tour de force tecnológico e um tremendo desafio para o Ocidente. Os cientistas soviéticos, liderados pelo lendário projetista de foguetes Sergei Korolev, não tinham apenas desenvolvido um míssil capaz de lançar armas nucleares em solo americano - eles também abriram o caminho até a Lua, e mais além.
Um mês depois, os soviéticos lançaram o Sputnik 2, seis vezes mais pesado que seu antecessor, levando a bordo uma cadela chamada Laika. O bichinho durou apenas algumas horas na superaquecida nave espacial, mas os russos tinham um trunfo: se haviam colocado um cachorro em órbita, podiam fazer o mesmo com pessoas. Wernher von Braun, o cientista de Hitler emigrado para o Ocidente e responsável pela construção do foguete Saturno V, que impulsionou as missões da série Apollo, implorou a Neil McElroy, então secretário de Defesa americano: "Dê-nos rédeas soltas, pelo amor de Deus".
Nos anos seguintes, Estados Unidos e União Soviética desenvolveram tecnologias distintas apesar de enfrentar os mesmos desafios básicos. A física dos lançamentos era, e é, imutável. Um objeto lançado ao espaço precisa atingir velocidade entre 27 mil e 28 mil quilômetros por hora para atingir a órbita baixa da Terra. Da mesma forma, para escapar da gravidade terrestre e continuar orbitando o planeta, uma nave espacial tem de viajar a 40 mil quilômetros por hora. Quanto mais pesada for a carga útil, mais potente o foguete deve ser, e nisso os soviéticos detinham uma imensa vantagem inicial com seu R-7. Quatro meses depois do Sputnik, os Estados Unidos conseguiram pôr em órbita seu primeiro satélite, o Explorer 1, que pesava 14 quilos. Em meados daquele ano de 1957, no entanto, os soviéticos lançaram o Sputnik 3, com 1,5 tonelada.
A rivalidade decorrente entre as duas potências gerou uma procissão de conquistas e de heróis. Em 1961, o cosmonauta soviético Yuri Gagarin, aos 27 anos, entrou para a história como o primeiro homem a dar um giro em torno de nosso planeta, para depois aterrissar suavemente em um campo. No ano seguinte, John Glenn, ex-piloto de caça da Marinha e mais tarde senador, tornou-se o primeiro americano a orbitar a Terra.
Em 1963, foi a vez de a primeira mulher subir ao espaço: Valentina Tereshkova, uma operária têxtil. Alexei Leonov fez o primeiro passeio espacial em 1965, e, um ano depois, foi a vez de Neil Armstrong e Dave Scott realizarem a primeira manobra de atracação em órbita.
Sob a pressão da promessa do presidente John F. Kennedy, feita em 1961, de colocar um homem na Lua "antes do fim desta década", Von Braun, da Nasa, e o soviético Korolev desandaram a realizar vôos de teste e missões orbitais de grande complexidade. As experiências culminaram na construção de dois gigantescos foguetes lunares, o americano Saturno V e o russo N-1, capazes de alçar muitas toneladas até o espaço.
No entanto, a tragédia espreitava ambos os programas. No dia 7 de janeiro de 1967, um incêndio causado por curto-circuito a bordo da cápsula Apollo, durante exercícios de treinamento no Centro Espacial Kennedy, matou os astronautas Gus Grissom, Ed White e Roger Chaffee. O programa Apollo estagnou, com o público americano em choque diante das primeiras perdas de vidas humanas causadas pela corrida espacial.
O programa da União Soviética também estava em apuros. Korolev morreu em 1966, e os esforços russos direcionados à Lua foram reduzidos. Por sua vez, os americanos se recuperaram, remodelando a fracassada nave Apollo e lançando o primeiro vôo tripulado, a bordo do poderoso Saturno V de Von Braun, em 21 de dezembro de 1968. Os soviéticos, na disputa pelo espaço, lançaram o N-1, em seu segundo vôo experimental, na noite do dia 3 de julho de 1969. Quando o foguete já estava centenas de metros acima da plataforma de lançamento, um componente metálico se soltou e, segundos depois, o mastodonte de 450 toneladas caiu no solo, explodindo numa gigantesca bola de fogo que destruiu a base de operações espaciais e as ambições lunares russas. Em 20 de julho de 1969, 17 dias após o acidente, o Saturno V deixava Michael Collins, Neil Armstrong e Buzz Aldrin na Lua. A euforia nos Estados Unidos atingia seu apogeu.
Em 1972, os anos dourados chegavam ao fim. Com problemas orçamentários devido à Guerra do Vietnã, os americanos abandonaram a Lua para se dedicar à construção de seu ônibus espacial e, mais recentemente, da Estação Espacial Internacional (ISS, na sigla em inglês). Os soviéticos, acossados pela falta de verbas adequadas e pela competição com os Estados Unidos, deixaram também a Lua de lado e se concentraram nas jornadas de longa duração a bordo de laboratórios orbitais - primeiro o Salyut, depois o Mir.
O interesse do público por vôos espaciais minguou. E o imperativo político se esfriou com o esfacelamento da União Soviética. Porém, foi o relativo declínio dos grandes saltos tecnológicos a causa da queda de audiência. Na órbita baixa da Terra, a principal atração dos vôos eram as caminhadas espaciais - novidade que logo arrefeceu. Mesmo os passeios para construir a Estação Espacial Internacional, que exigiam malabarismos e habilidades difíceis de concretizar no espaço, não empolgavam quem estava assistindo a eles.
As atrações passaram a ser os robôs. As missões não-tripuladas logo demonstraram seu valor, como é o caso da sonda soviética Venera. Em 1975, a engenhoca atravessou as nuvens de ácido sulfúrico de Vênus antes de pousar, suportando temperatura de 480ºC e pressão equivalente a 90 atmosferas terrestres, para enviar as primeiras imagens da superfície de outro planeta. A Voyager 1, da Nasa, lançada em 1977 e ainda hoje transmitindo da fronteira do espaço interestelar, passou zunindo por Saturno para depois dar um giro de volta em 14 de fevereiro de 1990 e clicar o primeiro retrato do sistema solar visto de fora. "Aí a gente resolveu desligar as câmeras", lembra o gerente do projeto Voyager, Ed Massey. "Já não havia o que fotografar."
Os anos recentes trouxeram, entre muitos outros triunfos, os jipes Spirit e Opportunity, que percorrem a superfície de Marte desde 2004; a sonda Cassini, em visita a Saturno e suas luas; e a Deep Impact, que disparou um projétil de 370 quilos de encontro a um cometa, em 2005, para analisar e determinar sua composição. Observatórios orbitais, a começar pelo telescópio espacial Hubble, fornecem imagens fantásticas do cosmo.
A despeito de seus sucessos inconstantes, a exploração espacial tripulada ainda atrai a imaginação humana. Embora seja impossível para o comum dos mortais se aproximar do lançamento de um ônibus espacial no Centro Espacial Kennedy, pequenas multidões costumam aglomerar-se nas barrancas do rio Indian para testemunhar, a uns 18 quilômetros de distância, o impressionante arremesso aos céus de um objeto com mais de 2 toneladas a uma velocidade 25 vezes superior à do som.
Só os próximos anos dirão se o fascínio humano pelo espaço ainda vai produzir alguma aventura maravilhosa como a que teve início há meio século. O novo empenho relativo à Lua e a Marte trouxe ar fresco às expectativas espaciais - mas também lembra o risco de que em alguns anos pode se transformar em projetos abandonados num canto qualquer. Sem a acirrada corrida espacial dos tempos da Guerra Fria para atiçar competições, a urgência se atenuou e as verbas se tornaram cada vez mais escassas.
De acordo com alguns relatos, a primeira parte do projeto - alcançar a Lua e lá construir uma base permanente - pode ser realizada ao custo relativamente modesto de 217 bilhões de dólares ao longo de 20 anos. Ao descrever a iniciativa lunar-marciana como uma "jornada, não uma corrida", o presidente Bush afirmou que ela pode ser financiada em doses homeopáticas e sem grandes estouros no orçamento anual da Nasa - ao contrário do ocorrido após Kennedy prometer que a Lua seria alcançada em pouco tempo. Durante aquela corrida espacial, a Nasa consumia até 4% das verbas do governo. Os recursos da agência espacial previstos para 2008, 17,3 bilhões de dólares, não são mais que 0,6% do Orçamento americano.
É certo que viver na Lua vai demandar saltos tecnológicos nunca atingidos durante as missões Apollo. Os astronautas precisam sobreviver a exposições prolongadas a radiação cósmica letal e construir um acampamento lunar (provavelmente a partir de tanques de combustível dos módulos lunares) capaz de suportar temperaturas entre -115ºC e 115ºC. Eles necessitarão de trajes espaciais que suportem os efeitos abrasivos da poeira lunar - o pot-pourri de fragmentos afiados de gelo e de rocha que quase congelou as dobras das roupas espaciais do pessoal da Apollo após três dias de passeios pela superfície da Lua. Os novos exploradores lunares terão de aprender a extrair oxigênio da poeira para usá-lo como ar respirável, combustível de foguete, água potável e escudo anti-radiação. Marte é uma meta para a próxima geração - ou para a geração depois dela.
A Nasa batizou sua nova missão espacial de Constellation (Constelação) e já encomendou a construção de uma nave moderna. A cápsula, chamada de Orion, é semelhante à dos anos 1960 e foi descrita pelo administrador da agência espacial, Michael D. Griffin, em 2005, como "uma Apollo anabolizada". Propulsionada por uma versão mais valente de um foguete Ares I reutilizável, a Orion levará seis tripulantes até a Estação Espacial Internacional e, de lá, quatro deles até a Lua. A Nasa também planeja um foguete de carga muito maior, o Ares V, capaz de colocar 150 toneladas em órbita, incluindo o propulsor, o módulo lunar e demais equipamentos necessários a uma expedição lunar.
As primeiras viagens da missão Constellation à Lua - com início provável em 2018 - serão empreitadas de reconhecimento do pólo sul lunar para definir o local do acampamento. A partir daí, as missões se tornarão mais longas. Os astronautas vão usar a base para explorações lunares, desenvolvimento de estratégias de sobrevivência e teste de tecnologias voltadas às ambiciosas missões rumo a Marte.
Mike Griffin, um cientista de foguetes que fala sem rodeios e teve experiências tanto na Nasa quanto na indústria aeroespacial privada, é o mentor do esforço lunar-marciano. Ele operou uma drástica redefinição das prioridades da agência espacial americana de modo a propiciar à nova iniciativa uma chance de dar certo. Embora louve o ônibus espacial, Griffin nunca foi um fã do programa. Os orbitadores ainda em serviço - Discovery, Atlantis e Endeavour - serão aposentados no fim de 2010, tão logo acabem de transportar componentes para a ISS, da qual já há quase dois terços prontos.
O fim das viagens com ônibus espaciais não será motivo de lamentos. "A era do ônibus espacial será encarada como um interlúdio no desenvolvimento das capacidades exploratórias no cosmo", diz o historiador John Logsdon.
Quando a era do ônibus espacial terminar, o cientista Griffin gostaria de ver a Nasa abandonar os projetos voltados à órbita baixa da Terra de modo a dirigir seu foco para a Lua. Apesar de a futura Orion ser capaz de transportar suprimentos e astronautas da estação orbital até o satélite terrestre e vice-versa, Griffin prefere encarregar a iniciativa privada de construir um foguete de serviço destinado a realizar esse trabalho. Para tanto, empenhou 500 milhões de dólares para auxiliar duas empresas na tarefa: a Space Exploration Technologies, companhia da Califórnia controlada por Elon Musk, fundador da PayPal, a pioneira em transferências monetárias via internet, e a Rocketplane-Kistler, de Oklahoma. Ambas deverão desenvolver e construir o novo veículo.
A possibilidade de que um dia a indústria privada pudesse fornecer foguetes e espaçonaves a quem quisesse comprá-los era impensável durante a corrida espacial da Guerra Fria. Na época, qualquer passo adiante representava um enorme salto tecnológico e financeiro rumo ao desconhecido. Mas o "novo espaço" começa a emergir como indústria séria que une o know-how de engenheiros inovadores ao dinheiro e à perspicácia de milionários. Burt Rutan, o folclórico engenheiro aeroespacial de vistosas suíças, construiu a SpaceShipOne, nela enviando seus astronautas para dois vôos suborbitais em duas semanas. Na aventura, faturou 10 milhões de dólares oferecidos pela X Prize Foundation, uma instituição sem fins lucrativos que apóia projetos de vôos espaciais a baixo custo.
O sócio de Rutan na aventura era Paul Allen, o co-fundador da Microsoft. Rutan une-se agora a Richard Branson, da Virgin Galactic, para criar a SpaceShipTwo, configurada como veículo turístico para seis passageiros, ao preço de 200 mil dólares a poltrona.
Além de foguetes, o ramo do "novo espaço" vai precisar também de plataformas de lançamento e de destinos para os quais viajar. No começo deste ano, o estado do Novo México criou um imposto sobre o comércio destinado a levantar fundos para o Spaceport America, centro de lançamentos a ser erguido no deserto, próximo a uma cidade rural de nome bizarro, inspirado em um programa de rádio do século passado: Truth or Consequences (Verdade ou Conseqüências).
Perto de Las Vegas, o magnata hoteleiro Robert Bigelow está desenhando e construindo estações espaciais infláveis. Feitas de tecido macio e durável que envolve um núcleo rígido, no chão parecem grandes guarda-chuvas prontos a se abrir. No espaço, o tecido se infla para formar câmaras. Instrumentos, maquinaria de suporte à vida e suprimentos são armazenados no núcleo rígido. Uma versão pequena e não-tripulada desse "guarda-chuva", chamada de Genesis I, abriu-se como uma flor 556 quilômetros acima da Terra em julho de 2006 e desde então vem operando sem falhas.
Bigelow lançou com sucesso um segundo protótipo, em junho passado, e pretende colocar em órbita um módulo para três pessoas em 2010, além de fornecer programas de treinamento a astronautas em 2012. Ele espera arrendar módulos para ser utilizados por hotéis, laboratórios e estúdios de cinema.
Na Rússia, todavia, o Estado é que está correndo atrás de lucros com a atividade espacial. Em 2001, a agência russa Roskosmos iniciou um programa para turistas ao colocar o multimilionário americano Dennis Tito em uma cápsula Soyuz e enviá-lo à Estação Internacional. O empresário de software Charles Simonyi tornou-se o quinto turista espacial, no começo deste ano, a um preço de mais de 20 milhões de dólares.
Griffin mantém uma crença fanática na exploração humana do sistema solar. Ele conseguiu canalizar esse entusiasmo para o Congresso ame-ricano e convenceu os legisladores a dar um prazo para o encerramento das atividades do ônibus espacial. Sem o ônibus, a Orion deve sair do papel, sob pena de os Estados Unidos se verem desprovidos de uma espaçonave própria de última geração - opção politicamente indigesta para muitos, sobretudo com a China avançando a passos curtos porém constantes.
Poucos ocidentais já visitaram o Centro de Lançamentos Jiuquan, no deserto de Gobi. Imagens do lugar mostram instalações quase iguais às do Centro Espacial Kennedy, da Nasa. Em 15 de outubro de 2003, o astronauta chinês Yang Liwei foi propulsionado até a órbita da Terra desde Jiuquan, fazendo da China a terceira nação do mundo a realizar a façanha.
Será que a chegada da China ao cosmo anuncia outra corrida espacial? "Os chineses e os americanos são como a tartaruga e a lebre", diz Joan Johnson-Freese, especialista em atividades espaciais chinesas. "Os chineses vão devagarinho, fazendo lançamentos regulares. Os americanos disparam na frente, mas não têm sido tão consistentes." A China vem adquirindo metodicamente as mesmas capacidades que soviéticos e americanos amealharam durante a corrida espacial. Dois astronautas chineses realizaram um segundo vôo em outubro de 2005. Espera-se um terceiro vôo para 2008, com três tripulantes. Tang Xianming, diretor do Escritório do Programa Espacial Tripulado da China, afirma que seu país deseja construir uma estação espacial e está de olho na Lua.
Griffin não descarta uma possível rivalidade. A competição alimentou a era dourada do espaço, e isso pode acontecer de novo. "Será que o meu idioma estará nas futuras colônias lunares?", ele perguntou em um discurso no Congresso Astronáutico Internacional, em 2006. "Ou será que outra cultura, mais ousada e mais persistente, há de ultrapassar nossos esforços e fixar seu próprio selo na sociedade lunar do futuro?"
Muita gente acredita que a volta à exploração humana do espaço vai comprometer o futuro das missões não-tripuladas em troca de um dispendioso e quixotesco epígono do velho projeto Apollo. Além das revelações e das maravilhas que sondas espaciais, telescópios e outros instrumentos nos trouxeram, as missões não-tripuladas proporcionaram também benefícios transformadores à humanidade em termos de observação da Terra, previsão do tempo, navegação e telecomunicações. Além disso, robôs não necessitam de trajes espaciais, escudos anti-radiação, banheiros, sistemas de escape em caso de acidente nem de comida, exceto energia.
Não há argumentos quando se fala de gastos: o projeto da sonda Cassini, a brilhante missão robótica de longo curso da Nasa a Saturno, custou aos cofres americanos 3,4 bilhões de dólares, mas tem possibilitado estudos desse planeta e de suas luas desde 2004. E deve continuar abrindo novos caminhos científicos ao longo de mais uma década. O projeto Impacto Profundo custou 333 milhões de dólares, e a nave que disparou o projétil se encaminha para uma nova missão, provavelmente o encontro com um cometa.
Em contrapartida, os vôos dos ônibus espaciais, que duram em média duas semanas, custavam 1 bilhão de dólares cada um em 2002 (último ano antes da tragédia do Columbia), e os custos só cresceram desde aquela época. O orçamento científico da agência espacial americana deve permanecer virtualmente o mesmo - cerca de 5,5 bilhões de dólares - até 2011, enquanto as verbas previstas para a ambiciosa iniciativa lunar-marciana mais que duplicaram, chegando ao patamar dos 8,7 bilhões de dólares.
Para que se incomodar com vôos tripulados se os robôs fazem um trabalho tão bom e a preço tão menor? Os defensores dos vôos tripulados argumentam que somente os seres humanos possuem a coordenação física maleável e a agilidade mental necessárias para otimizar ao máximo uma expedição. Porém, a mais forte defesa dos vôos espaciais tripulados ainda reside no que funcionou nos primórdios dessa aventura: a exploração espacial é, em última análise, um sonho humano.
Os Estados Unidos se tornaram donos de um território de 2 milhões de quilômetros quadrados conhecido como Louisiana Purchase assim que Thomas Jefferson o adquiriu dos franceses, em 1803. A primeira providência de Jefferson foi enviar os célebres exploradores Lewis e Clark para palmilhar a nova propriedade. Nada é de fato seu até que você coloque os pés lá, dizem os defensores das viagens espaciais com seres humanos. "Não vejo a menor necessidade de justificar os vôos tripulados com argumentos científicos. Claro que a ciência terá muito a ganhar com essas experiências", afirma Griffin. "A vontade de estender nossos domínios - algo que faz parte do destino humano - já é motivo suficiente para nos lançarmos a isso."