Destinos

Em ação

Peter Essick



Para onde você foi para fotografar o lixo high-tech?
Fui primeiro à China, depois visitei instalações de reciclagem nos Estados Unidos. Depois disso, fiz uma longa viagem visitando a Áustria, o Gana, a Nigéria, a Índia e o Paquistão.

O volume do lixo o surpreendeu?
Quando vi navios sendo descarregados e as pilhas de equipamento de alta tecnologia, tive certeza de que existia um problema. Uma das coisas surpreendentes é que eu achei que iria a locais de reciclagem e encontraria pilhas de computadores do lado de fora, como vi no caso de pneus e plásticos, mas realmente isso não se faz porque computadores são muito caros. Nos Estados Unidos, chegam para ser reciclados e começam a ser desmontados imediatamente. Em ouros lugares como no Paquistão, na Índia e no Gana o lixo estava todo lá. Havia um vilarejo ou uma área em que toda a reciclagem era feita, e o que não podia ser usado era jogado no rio.

Houve algum local que se destacou como o pior em relação ao lixo high-tech?
Há toda a questão da exportação do mundo desenvolvido para países subdesenvolvidos. A reciclagem de aparelhos de alta tecnologia não rende dinheiro necessariamente nos EUA, de modo que são mandados para outro lugar. Em alguns dos lugares onde essas coisas vão parar, podem ser aproveitadas, então um fator positivo é que pelo menos alguém consegue ganhar um pouco de dinheiro com isso. Mas o Gana realmente não está lucrando muito com a reciclagem de lixo high-tech só está acumulando toxinas. Não há muita tecnologia no Gana, então depois que os fios de cobre são descascados e queimados, o cobre é vendido para a China ou para a Índia. Todas as outras partes do computador ficam lá na forma de lixo.

Você usou algum equipamento de proteção para fazer as fotos?
Bom, no começo eu não usei nada, mas daí, quando cheguei a um vilarejo na Índia, coloquei uma máscara. O vilarejo todo fazia reciclagem de placas de circuito, e era um processo muito tóxico. Foi ali que fiz a foto de um homem usando a panela da cozinha para derreter parte da placa de circuito. Meu assistente e eu realmente ficamos com dores de cabeça fortíssimas enquanto estávamos lá, de modo que provavelmente inalamos substâncias tóxicas.

O que os aldeões pensam sobre as substâncias químicas liberadas pela reciclagem de equipamentos de alta tecnologia?
O homem responsável pela reciclagem naquele vilarejo acreditava estar ajudando todo mundo ao dar emprego às pessoas. Perguntamos a ele se sentia mal, e ele disse que não se incomodava, no que diz respeito ao aspecto tóxico da coisa. Mas talvez ele fizesse idéia de que aquilo estava errado, porque boa parte da queima era feita à noite, para que as nuvens de fumaça não fossem avistadas. De maneira geral, acho que as pessoas não sabem o quão tóxicas as substâncias químicas são, nem o mal que podem fazer.

Como foi a sua experiência na Europa?
Bom, os europeus são os mocinhos da história. Assumiram a liderança no que diz respeito às leis que obrigam a reciclagem e, na maior parte dos casos, fazem um bom trabalho. Mas ainda há um pouco de exportação para ouros países. Vi um equipamento no Gana que dava para ver que tinha origem européia, pelo tipo de tomada.

O que deseja que as pessoas aprendam com esta reportagem?
Seria maravilhoso poder atualizar a tecnologia sem ter que jogar fora o aparelho antigo inteiro. As empresas querem que as pessoas comprem as últimas tecnologias a cada seis meses. Se vamos usar a tecnologia, deveríamos cuidar de reciclá-la. E não de mandar o lixo para o exterior. Uma empresa no Massachusetts e outra na Virgínia mostraram que dá para ganhar dinheiro com a reciclagem, até nos Estados Unidos.



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