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Epping, Dakota do NorteDescrição: Dan Stomley, de 55 anos, cresceu perto dali, mas nada sabe da casa solitária no alto de um outeiro. Uma mulher de uns 90 anos deve saber. Porém um ano atrás sua mente começou a falhar. Stomley quis comprar aquele lugar há 30 anos, mas não se chateou com o fato de os proprietários não o terem vendido. “Deve ter sido o berço da família deles”, diz ele. A casa do avô de Stomley, bem mais ao norte, também está combalida, e era a cavalo que o velho percorria os 96 hectares da propriedade. Ele tinha 20 vacas e levava o leite até Crosby uma vez por semana.
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Gascoyne, Dakota do NorteDescrição: A última classe do ginásio de Gascoyne formou-se em 1940. Quando Vernon Petersen entrou no primário, ele, sozinho, era metade da classe. Agora, a terra quase engoliu a escola decrépita. As telhas de madeira descolam do telhado. A cidade, fundada em 1907, reduziu-se a 13 almas. No início dos anos 1960, a garotada foi assistir às aulas na localidade próxima de Scranton. Petersen e sua mulher, Marlene, criaram ali seus quatro filhos, mas tiveram de ir embora, atrás de um meio de vida. Debaixo do vasto céu, Petersen aponta: “Aqui era o armazém e o correio; ali, a loja de ferragens; lá, a sorveteria. O time de futebol americano foi embora da escola em Scranton. Estamos para perder também o time de basquete. No ano passado, formaram-se 15 jovens, mas só temos sete crianças no jardim-de-infância”. Uma página rasgada de um livro didático adeja ao sabor da brisa que entra por uma janela quebrada da escola de Gascoyne, exibindo a lição: “Escreva os sinônimos de choro, depois, ruim, sempre, adeus, perdido e escuro”.
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Mott, Dakota do NorteDescrição: A casa está atulhada de detritos de vidas passadas. Todos os bens parecem abandonados – menos neste quarto, mantido em ordem, como se fosse um museu dedicado a um ente querido que se foi. O quepe vermelho faz parte do uniforme da banda de música da cidade.
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Belfield, Dakota do NorteDescrição: Nas estradas que cortam Dakota do Norte, o horizonte sempre acena para o motorista seguir em frente.
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Charbonneau, Dakota do NorteDescrição: Os carros são abandonados quando já não podem ajudar as pessoas a sair dali. Um silo espera pelos fazendeiros que há muito se foram. Perto, a casa erguida pelo pai de Elsie Carsten afundou porão abaixo. “Não fico triste de ver tudo sendo tragado pela terra. A vida é assim”, diz ela.
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Walum, Dakota do NorteDescrição: À medida que as paredes desmoronam, as fronteiras se esfumam e se dilui a linha que divide a casa de seu quintal. Os cavalos que vivem por perto parecem esquecidos na solidão da planície.
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Mott, Dakota do NorteDescrição: “Esse lugar ficou vazio durante anos”, diz Gilmer Anderson, de 87 anos, que tem fazenda alguns quilômetros ao norte. Ele pára seu trator e comenta: “Rufus Svihovec, sabe como é, veio da Boêmia. Bebia demais. Casou-se uma vez; a mulher faleceu. Foi parar num asilo, em Mott, e ali morreu”. Em seguida, Anderson dá a partida no trator e volta a dar forragem para suas vacas. Svihovec teve um pé ferido por um cortador de grama quando criança e passou a vida toda prejudicado. Para Ervin Schneider, ele era o Tio Rufus, peão que trabalhou na fazenda de seu pai na sua infância. Schneider amaciava os sapatos novos de Svihovec para que ele pudesse usá-los no pé ruim. “Veja isto”, diz Schneider, apanhando uma velha fotografia dos anos 1950, em que Svihovec aparece sorrindo, apoiado no volante de seu carro, com sua mulher, Anna, ao lado. “Quando eu tinha 10 anos”, conta ele, “vi o Tio Rufus erguer o motor de um calhambeque com as próprias mãos. Tio Rufus e Anna tiveram uma vida dura. Todo mundo tinha na época.”
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Hanks, Dakota do NorteDescrição: Debora Quarne, de 56 anos, tem 53 cavalos, e é a derradeira moradora de Hanks. No passado, eles foram 200. Perto da casa dela, há um banco falido, onde um homem se enforcou no porão durante a seca de 1930. “Eu amo isto aqui”, diz ela. “É o meu próprio cantinho no mundo.”
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Grenora, Dakota do NorteDescrição: “Sou o homem mais velho da cidade”, diz Ragnar Slaaen, de 96 anos. “Esta casa pertencia a umas pessoas de Montana, e andou vazia por uns 50 anos, pelo menos. O que aconteceu com eles? Acho que ficaram velhos e bateram as botas. “Nasci em 1911, numa propriedade de colonos doada pelo estado 19 quilômetros ao norte da cidade. Meu pai veio da Noruega. Ele morreu quando eu tinha 2 anos. Nem sei como a minha mãe arranjava comida. Fiz oito séries numa escola rural. Ninguém passava para o secundário – a gente tinha de trabalhar. Aos 8 anos, trabalhei para um vizinho catando pedras o dia todo. “Tive minha primeira fazenda em 1936. Usava um arado a cavalo. Simplesmente não chovia. Quando vinha tempestade de areia, ficava tão escuro que não se enxergava nada dentro de casa. Você tinha de se acostumar a respirar pó. “Nosso primeiro bebê, uma menina, era uma natimorta. Sabe o que é uma natimorta? Depois tivemos dois garotos. “Tive uma vida boa e uma esposa adorável. Ela morreu há sete anos. Ainda tenho cabelo. Eu me sento aqui por seis meses, e ninguém vem me ver. Sobrevivi a todos. Sou o homem mais velho da cidade.”
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Powers Lake, Dakota do NorteDescrição: A poeira recobre um olho azul na cabeça decapitada de uma boneca. Perto dali, um andador de criança, um telefone de plástico e mais duas bonecas, uma delas desmembrada. Há um pequeno recorte de jornal assinalando o nascimento de Jolene Melissa, a primeira filha, em 6 de outubro de 1982. E outro anunciando a venda de uma vaca da raça Holstein por 250 dólares, em 1974. São fragmentos de sonhos encontrados em uma garagem perto de pequena casa branca ao lado de um estábulo vermelho na vastidão da planície. Também se vê um pequeno Papai Noel de borracha à espera do Natal.
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Descrição: A cauda de um vestido de noiva transborda de um saco plástico pendurado na porta de um quarto do andar superior da casa branca. O tecido é sintético. A casa está vazia, a porta está fechada com um arame, o piso começou a afundar de solidão. O casamento aconteceu no dia 29 de outubro de 1994. Uma caixa de plástico abriga taças de champanhe, uma cinta-liga, um véu sobressalente, a decoração do bolo, os utensílios para cortar e compartilhar o bolo.
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Descrição: A tinta verde clara está rachada na sala; a oração da colheita em um crucifixo ficou jogada em uma prateleira. Matt e Josephine Demianew construíram a casa de três cômodos logo ao norte de Belfield. Matt cultivava a terra e também trabalhava na estrada de ferro. Josephine não sabia dirigir, por isso, quando Matt morreu, precisou se mudar para a cidade.
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Descrição: Esta cidade em vias de desaparecer segue o arco da vida de Melvin Wisdahl. Ele já passou dos 80 anos e se lembra daquilo que a maior parte das pessoas quer se esquecer. Havia muitas crianças quando ele era jovem, pouco dinheiro e nenhuma estrada. Na década de 1920, a Ku Klux Klan era grande na área. Wildrose, ali perto, tinha 300 habitantes e atraiu cem pessoas para um comício do Klan. Como não havia quase nenhum negro, a organização se concentrava nos católicos. Um homem chegou a cavalo, assassinou uma família na área e foi linchado. A cidade encolheu e despencou por cima de si mesma. Melvin e sua mulher, Morrene, tiveram algumas boas colheitas, criaram dois garotos e adoravam cuidar da terra. Ele se lembra de quando a cidade tinha cerca de 75 pessoas. Hoje, resume-se a três famílias.
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Descrição: Um bule de café velho está na cozinha da igreja luterana Bethel, erguida por volta de 1912 e, durante anos, ponto de encontro de uma congregação de 25 ou 30 pessoas. Na medida em que a congregação foi definhando, juntou-se à de Wildrose, uma cidadezinha próxima. Mas foi difícil. “Durante alguns anos, só tivemos missa no verão”, diz Dennis Jacobson, 58. “Era uma maneira de fechá-la, mas não de modo muito repentino. Daí, durante alguns anos, uma vez por verão. Havia um grupo de pessoas, entre elas o meu pai, que decidiu mantê-la em pé em vez de deixá-la apodrecer.” Recentemente, gastaram oito ou nove mil dólares consertando o campanário. Mas Jacobson avisa: “Esta provavelmente é a última vez que gastaremos dinheiro aqui”.
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